Estudantes indígenas de Roraima conhecem técnicas de piscicultura no Inpa

Estudantes indígenas de Roraima conhecem técnicas de piscicultura no InpaManaus – O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) recebeu nessa terça-feira (10) a visita de estudantes da curso técnico de agropecuária da Escola de Formação Indígena do Surumu. Os estudantes, na faixa etária de 13 a 16 anos, pertencentes à etnia macuxi, vieram conhecer os trabalhos desenvolvidos pelo Inpa, em Manaus, nas áreas de piscicultura, produtos naturais e sementes.

A comunidade indígena abriga cerca de 3 mil pessoas e está situada na área da Reserva Raposa Serra do Sol, localizada a 250 km de Boa Vista, em Roraima.

De acordo com o professor Jecimar Malheiro, que veio acompanhando os alunos, a visita tem o objetivo de agregar conhecimentos e aplicar as técnicas repassadas.

“Além disso, queremos aperfeiçoar os trabalhos que os técnicos indígenas estão desenvolvendo em todo o Estado de Roraima, em um esforço de ajudar o povo indígena, no cultivo de hortaliças e frutíferas, na pecuária com a criação de gado e ainda na criação de peixes”, disse o professor.

A iniciativa da visita partiu da própria Escola de Formação Indígena do Surumu, que manteve contato com o Núcleo de Pesquisas do Inpa, em Roraima, que também é um parceiro daquela escola. Pela manhã, os visitantes foram conhecer o Laboratório de Piscicultura, localizado no Campus III do Inpa, no Avenida Ephigêncio Salles, zona centro-sul.

Durante a visita no local, o pesquisador da Coordenação de Pesquisas em Aquicultura, Jorge Fin, mostrou as técnicas de reprodução e alimentação das espécies de tambaqui (Colossoma macropomum), matrinxã (Brycon cephalus) e pirarucu (Arapaima Gigas) que é feito com o consórcio de ração e iscas de peixes.

Os estudantes macuxis também tiveram a oportunidade de assistir a uma demonstração prática da Hipofisação, que é uma técnica usada na reprodução artificial de peixes. A técnica é baseada na desova por indução a partir da aplicação de hormônios naturais presentes na hipófise de peixes maduros.

“Foi muito importante essa primeira visita que tivemos no Laboratório de Piscicultura e vamos repassar todo o conhecimento que tivemos para os nossos colegas em Roraima”, disse o estudante Elinaldo Francisco da Silva.

À tarde, os alunos fizeram uma visita ao Bosque da Ciência, onde foram recebidos pelo coordenador do Bosque, Jorge Lobato. “O Inpa criou este parque com 130 mil metros quadrados, o que equivale a 13 campos de futebol, que é um museu a céu aberto com trilhas interpretativas, animais soltos e em cativeiro científico, a Casa da Ciência e vários outros instrumentos que permitem ter essa relação de aproximação da ciência com a sociedade”, explicou o coordenador sobre o papel do parque.

Os estudantes macuxis farão visitas a outras dependências do Inpa, até nesta sexta-feira, e estão recebendo apoio logístico da Coordenação de Tecnologia Social (COTS).

Missão Sumuru

Na busca do direito a educação indígena, a Diocese de Roraima configurou-se aliada deste processo e junto com as organizações indígenas foi apoiando e assumindo sua parte desenvolvendo um trabalho intenso.

O exemplo concreto disto foi a Missão Surumu, a qual se constituiu em um espaço das comunidades indígenas de formação e profissionalização em geral. Ali se desenvolveram atividades de capacitação para seleiros, marceneiros, vaqueiros, agentes de saúde e professores, além de ser espaço de debate e reflexão das comunidades e sua organização indígena.

Em 1996, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e a Diocese de Roraima programaram no Surumu um trabalho de formação de jovens indígenas visando à auto-sustentação das comunidades e o fortalecimento do processo de recuperação das terras, criando uma Escola de Agropecuária junto com o Ensino Médio. Surgia assim o Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS).

Fonte: http://www.d24am.com