Governo do RN quer incentivar panga com camarão

Em plena 14ª Feira Nacional do Camarão, em Natal (RN), uma das principais estrelas foi o pangasius. Representado pela Associação Brasileira de Criadores de Panga (ABCPanga), que levou um aquário à feira, a espécie originária do Vietnã caiu nas graças do governo potiguar, que pretende incentivar a criação de uma cadeia produtiva voltada à espécie, com fábrica de ração, fazendas e uma unidade de processamento.

Durante o evento, o secretário da Agricultura do Estado, Guilherme Saldanha, confirmou o interesse na espécie. “É um peixe com conversão alimentar melhor que a da tilápia e que já tem um mercado no Brasil inteiro.” O secretário indicou que a legislação atual que impede o cultivo de espécies exóticas não deve ser um empecilho, já que uma nova lei está em gestação com base no decreto paulista que regulamentou o cultivo de espécies exóticas em viveiros escavados.

A intenção do governo do Estado é incentivar o cultivo em propriedades originalmente focadas no cultivo do camarão vannamei que sofreram com a mancha branca e paralisaram ou diminuíram drasticamente as atividades. “Nossa estimativa é de que existem no RN de 2 mil a 5 mil hectares de lâmina d´água que podem ser explorados para o cultivo deste peixe. “ O cultivo seria feito em forma de rodízio, alternando a engorda de camarões com a de panga, para produzir até 2 ciclos do peixe por ano.

O governo do Estado já foi consultado e pode dar o aval para um incentivo fiscal destinado a atrair fábricas de ração capazes de suprir esta demanda, segundo Saldanha, embora já exista atuação local de fábricas instaladas no Ceará e em Pernambuco. Outra iniciativa prevista é a revitalização do terminal pesqueiro da Ribeira por meio de uma parceria com a iniciativa privada.

Capacitação e interesse

Enquanto o governo destrava as condições para a produção, a ABCPanga trabalha agora na capacitação dos produtores. “A região tem todas as condições para produzir muito panga. Só o clima, por exemplo, são 12 meses de calor, o que estimula o crescimento do peixe”, conta Gaetano Furno, presidente da entidade.

Junto a representantes do governo do Estado e da equipe coordenada pela professora da Universidade Federal de São Carlos, Luciana Seki Dias, ele realizou uma série de visitas técnicas a interessados, trabalho que prosseguirá nos próximos meses. Um workshop realizado paralelamente à Fenacam reuniu mais de 80 interessados.

Fonte: http://seafoodbrasil.com.br/